domingo, 28 de março de 2010

domingo

Podia dizer que hoje foi um dia que não parecia domingo. Podia dizer que estava lá enfrentando filas pra pagar as contas, podia dizer que fui pra aula e la estavam tantos. Podia falar da aula chata, da aula boa, e daqueles lanches baratos que se instalam nas esquinas. Podia dizer que hoje estou esgotada, cansada de tanto trabalho e problemas. Podia dizer que me atrasei pro almoço, que encontrei o encanto do dia. Podia dizer que vi a novela, que não deu pra parar nem pra pensar. Podia falar do esgotamento, do lançamento, do feijao. Podia falar da surpresa, e dos carros empilhados na frei serafim. Podia falar que estive no centro da cidade, e estava o mesmo, exaustivo de tanto vai e vem, podia reclamar do ônibus lotado. Podia falar das flores.

Mas a verdade, é que hoje é domingo, e nada nunca muda nisso. Mas a verdade, é que hoje é domingo, e ele fala por si só, ou de tão vazio, falta não falar. Mas a verdade é que hoje é domingo e na tv tanto tédio, e no transito tanto tédio. Se ontem foi remédio, hoje nem vestígios. Hoje só a solidão fala. Hoje só se cansa do nada. Hoje nostalgia. E de hoje só presta o outro dia.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

realize.

Sobre os sonhos
Somem os homens
Desfigurando as possibilidades
Fogem os homens dos seus sonhos
Acalentando de suor a vida
Que não segue a tempos
O dever a que lhe trás:
Fazer o homem acordar do imenso conformismo
Da contradição entre o
Sonho e a realidade
Que deviam desde cedo completa-los

Esperando o céu,
Força de vida
Deixa de lado a pura vontade
Deitada aos sonhos que nunca tornarão realidade
E acordar delirado no céu
Que nada mais foi a vida
Do que não a felicidade
Mas o medo, a fraqueza e a descrença,
E agora todos os sonhos
Se tornaram pecado
Por não ter tido coragem de deixa-los ser de verdade.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

across the universe

A revolução acontece logo ali.
Em mim, uma introspecção infantil
A gritaria comove.
Mas em mim, um todo de anestésicos
Gente passa na avenida
Gente pra mim, urgentemente ensandecida
Caos de lutas inúteis
Navegam nas estações em todos os cais.
E no meu mar só inunda minha coragem
De permanecer trancada
Ao dó-de-mim
Onde nem os ventos invadem.
Fora de mim, um povo insaciado
Entorpecido
E meus ouvidos, ensurdecidos
Diante das passagens
Que não passam em mim.

domingo, 17 de janeiro de 2010

faz tempo

Teu sono vem se refazer em mim, que tarde traz a agonia de ser errante, de ser sedento, de ser ontem, tuas mãos me empurram para um caminho abstrato, de ser mágico, de não ser exato, de ser rabisco e perfeição, de ser idéia, de ser imaginação. O pensamento trás de volta o lugar, a calma, a estação. Tua lembrança não é apenas lembrança, é vivencia, é o cada dia de está aqui, é recordar o que ainda acontece. É paisagem, porque os lugares observam, tateiam nossos sonhos, as paisagens nos acolhem, nos reconhecem, acham-nos belos. O sol recebe nossa luz, que juntos nos faz sorrisos, nos faz humanos, e recolhidos a um sono, trás a união de sermos encontro.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Será se não sou e não mostro o que sou? Estou confusa se devo ser duas, porque na verdade uma parte de mim não posso ser. Não posso para os outros, mas para mim é todo o meu segredo e valor.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

não . . .

Não quero me unir a tua solidão
Desejo vão de se perder
Não quero enaltecer no preto, vazio.
Mas tu dizes que há beleza na nostalgia
-mero engano, todos sabem!
Dizes que no preto há tudo:
Coloridos se misturam, cores se unem, se embebedam de tantos tons.
Até que se descobrem escuros, sozinhos, fortes.
A solidão entende, já se concluiu!
-‘não vale a pena!’ ou ‘é sempre que se descobre assim no fim, só em si.'
Dizes que é preciso se acostumar. . .
Com o silêncio externo, o grito interno, a multidão aparente, o só em si.
Dizes que são falsos, sempre a fim de um interesse oculto, e depois, o fim.
Não! Não quero me unir a tua solidão.
Assim descobriria que minha presença é falta, é falha.
Não quero a tua solidão.
Destruiria o teu silêncio, a tua cor talvez, o teu vazio. . .
De tanto branco se clarearia pro cinza.
Destruiria a tua falta, a tua arma.
Não quero a tua solidão, ela é tua, tua escolha. . . um receio, e não me caberia, tu não me aceitaria, já não seria solidão
Então. . .
Se vão. . .
Em vão. .


só-lhe-dão
.
.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

noite do dia.

Hoje é noite, mas não importa se for noite ou dia
Agonia.
toda noite é assim.
Não importa como são as noites
Não importa como vem,
mansa ou sem aviso.
Se é noite, sempre é do dia.
Mas a noite, parte o dia.
Me parte
Em duas.
Tornando cada parte
vazia.

-

Eu necessito de inspiração,

noite, claro, escuridão

com tanto que eu sinta.

Eu necessito ver o sol saindo, no mesmo instante que ele saia

Eu necessito sentir o escuro, eu necessito da paz

Dessa paz que não precise enxergar

Eu necessito de qualquer coisa que me inspire, que transpire inspiração

Eu preciso da paz aguda, que me deixe livre

De qualquer liberdade que me faça sentir

Com tanto que sirva

Eu necessito encontrar qualquer coisa que me encontre

Eu necessito quebrar esses espelhos, esses refletores, esses retrovisores

Para que assim, possa enfim, me ver

Eu preciso de união, da guerra da paz, de encontrar dois. Unidos, vencendo, a dúvida do que a gente busca,

De todas essas coisas que se encontram, no exato momento que se encontrem.

domingo, 14 de junho de 2009

a vida e o invisível

Mil horizontes misturados em meus olhos, com os grãos e poeiras.
É tudo incerto aqui. . .
As vontades se perdem. . .as pessoas se encontram e ficam mais perdidas.
A realidade vivencia as pessoas, o ar. Neste instante tudo está perdidamente junto e unido. Hoje o vento está transbordando tudo, transportando os poemas jogados ao vento. . .
Todos os pensamentos jogados, e as memórias entrelaçadas com as ações.
Tudo se pensa, tudo se faz, tudo se encontra e se mistura.
Saciando os desejos com os sonhos e pensamentos. É como se na memória a vida vivesse mais.
E é como se hoje, a vida, fosse qualquer momento, na mente, ou na pele ou no tato,
É como se a vida fosse qualquer dessas coisas que se tornam, de algum modo, vida.
Sem medo, sem temor. Apenas misturados com o hoje, tão hoje e tão certos.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

me escondo em marte. . .

Eu ainda não estou totalmente preparada. . .
Pra viver.
O sol lá fora ainda é muito forte, e ofusca minha retina, aquele ar, misturado com tantas pessoas. A realidade e solidez dos objetos, da natureza, das pessoas. . . ainda é muito forte para minha irreal realidade. Eu não sei se, se eu sair da porta, saberei voltar. Assim, tudo ainda é um ar velho muito novo de vida. Se eu sair, pode ser que eu saia também de mim. . .
Se eu sair poderei me acostumar. . .
Como os outros, como a vida, como os rios parados, ou os mares com marés altas, sempre fazendo seu papel. . . sua rude rotina de um papel já pré-visto.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

algum lugar

Todos os meus refúgios e esconderijos estão trancados, fechados com correntes e cadeados.
E eu penso apenas em mim nesses momentos de solidão e soluços
Eu corro pela cidade, e cada esquina me põe a um lugar desconhecido
Desorientada, desacreditada, debruçada no chão duro das ruas sem destino
E sem destino algum eu sigo por tantas e tantas outras ruas
Procurando um chão
São sempre as velhas tentações que me vem a mente. . .
Meu estomago vazio, embrulhado de lágrimas
Desacredito. . .
Mas vejo o horizonte logo ali, seguindo a minha vista
Extasiada, estática e inerte, sigo na direção do fim
Procurando agora horizontes
Tão distantes quanto meus abrigos.
 
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